Cervejas pelo mundo - Parte 2 - Alemanha

Cervejas pelo mundo – Parte 2 – Alemanha

Chegou o momento de falarmos de um dos maiores (e melhores?) mercados mundiais da cerveja. A Alemanha não é somente o país criador da Oktoberfest mas também é um dos países que mais fabrica cerveja no mundo e que consequentemente ocupa atualmente a segunda posição como maior consumidor. Muito disso se deve a diferença de cultura criada no país, onde a bebida ocupa o terceiro lugar em consumo, atrás apenas da água e do café. Assim, iniciamos uma pequena viagem de conhecimento por este país no minimo interessantemente degustador.

Cervejas pelo mundo – Alemanha

Um dos pontos iniciais para falarmos e idolatrarmos a relação da Alemanha com a cerveja é nada mais nem nada menos uma certa lei difícil de pronunciar porém de muita importância para o que viria a ser a primeira legislação alimentar a ser estabelecida. A lei promulgada pelo duque Guilherme IV da Baviera, em 23 de Abril de 1516 estabelece que a cerveja deve ser produzida apenas com água, malte de cevada e lúpulo. Mesmo nos dias de hoje, com tanta variedade de estilos e busca constante de inovação, há muitas cervejarias alemãs que se mantém fiéis a fabricação dentro da lei de pureza, fazendo com que os seus leais consumidores valorizem ainda mais o produto. Também há casos de cervejarias brasileiras que se fazem valer desta “qualidade” em sua fabricação. 

Falar de Alemanha faz muita gente logo pensar em Oktoberfest, mas porque ocuparmos agora este espaço com algo que todos temos uma pequena noção?! Melhor aproveitar o espaço para falar além disso. Quem sabe um pouco mais sobre a Baviera e as suas belas Weissbier? ou quem sabe sobre as Pilsen (ou pils) que é o estilo mais consumido? ou quem sabe das Helles e Dunkel? é, a Alemanha tem tanto para ser falado, que toda esta escrita está me dando sede. Vamos ao copo (assunto) então!

A Weissbier, muito consumida na Baviera (estado ao norte da Alemanha, chamado originalmente de Bayern e a sua capital é Munique),  uma cerveja de trigo, turva e com aromas florais e frutados. Podemos citar algumas cervejarias mundialmente conhecidas pela sua qualidade em fabricação deste estilo, como Paulaner, Erdinger, Schneider Weisse, Franziskaner entre outras.

A Pilsen, German Pilsner ou Pils é um estilo criado na própria Alemanha e o mais consumido no país. Possui cor palha até dourado claro e varia para cada região do país. É variável o índice de amargor conforme a região da fabricação da cerveja. Belos exemplos deste estilo são fabricados pelas cervejarias Warsteiner e Bitburg.

 O tipo Dunkel (que significa escuro) possui coloração desde cobreado até o marrom escuro. É comum em várias regiões da Alemanha e pelo fato de utilizar a mesma técnica de produção das lagers, pode ser enquadrada nesta categoria, assim como quando é aplicada na produção maltes de trigos, pode ser nomeada de Dunkel Weizen. Uma versão que não deixa a desejar em nada às melhores Dunkels alemãs é a que a cervejaria Eisenbahn fabrica no Brasil, conforme comentamos em Cervejas pelo Mundo – Parte 1 – Brasil.

Estilo Dunkel

Estilo Dunkel

É difícil escrever sobre um país que envolve tanta história em nos proporcionar estilos e qualidade de cerveja porque é muito assunto para se falar e ao mesmo tempo parece que faltam palavras para elogiá-los também. Sempre que tiverem a chance de experimentar uma cerveja típica alemã ou criada utilizando a lei da pureza, não irá se arrepender, pois é história misturada com sabor, aroma e extrema qualidade. Prometo que em breve falo apenas sobre a Oktoberfest (quem sabe quando estiver mais perto da data). Copos ao alto, um brinde à Alemanha, porque além de lá, aqui também Tem Cerveja!

Se você não entende alemão (não? que vergonha!) e ficou curioso para saber o que diz na Lei? Então segue a tradução dela:

“Proclamamos com este decreto, por Autoridade de nossa Província, que no Ducado da Baviera, bem como no país, nas cidades e nos mercados, as seguintes regras se aplicam à venda da cerveja:
Do dia de São Miguel (29 de Setembro) ao dia de São Jorge (23 de Abril), o preço para um Litro ou um Copo, não pode exceder o valor de Munique do pfennig.
Do dia de São Jorge (23 de Abril) ao dia de São Miguel (29 de Setembro), o Litro não será vendido por mais de dois pfennig do mesmo valor, e o Copo não mais de três Heller (Heller geralmente é meio pfennig).
Se isto não for cumprido, a punição indicada abaixo será administrada.
Se todo cervejeiro tiver outra cerveja, que não a cerveja do verão, não deve vendê-la por mais de um pfennig por Litro.
Além disso, nós desejamos enfatizar que no futuro em todas as cidades, nos mercados e no país, os únicos ingredientes usados para fabricação da cerveja devem ser lúpulo, malte e água.
Qualquer um que negligenciar, desrespeitar ou transgredir estas determinações, será punido pelas autoridades da corte que confiscarão tais barris de cerveja, sem falha.
Se, entretanto, um comerciante no país, na cidade ou nos mercados comprar dois ou três barris da cerveja (que contém 60 litros) para revendê-los ao vendedor comum, apenas para este será permitido acrescentar mais um Heller por Copo, do que o mencionado acima. Além disso, deverá acrescentar um imposto e aumentos subsequentes ao preço da cevada (considerando também que os tempos da colheita diferem, devido à localização das plantações).
Nós, o Ducado da Baviera, teremos o direito de fazer apreensões para o bem de todos os interessados.”

Luis Fuenzalida Calderón
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Luis Fuenzalida Calderón

Chileno de sangue e coração, brasileiro por opção. Programador por profissão e apreciador de cervejas e degustação. Apenas mais um tatuado cabeludo que gosta de rock and roll e todas suas vertentes, extremas ou não.
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